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quarta-feira, 26 de agosto de 2015

CARMINA BURANA NO TCA


Acabo de assistir a cantata "Carmina Burana" do alemão Carl Orff no Teatro Castro Alves com a orquestra  NEOJIBA na regência do maestro Eduardo Strausser.

O teatro estava lotado, com uma plateia barulhenta que não respeitava os dois palestrantes que se esforçavam por explicar a peça, mesmo que pedido silêncio. Isto demonstra que o brasileiro, espectador de novelas e futebol, ainda andar muito para alcançar o clima de uma obra de arte.

Foi um lindo espetáculo, embora tímido. na minha opinião um pouco tímido. Faltou, talvez, um pouco mais de ousadia na interpretação da cantata que sabemos ter sido escrita obedecendo ao espírito medieval dos goliardos, onde imperavam a sátira, a paródia a licenciosidade, mas também a crítica à igreja e seus prelados corruptos e licenciosos.

Este espírito, acredito,  é o que faltou na interpretação tanto da orquestra, como dos coros e dos solistas, ressalvando-se o barítono Marcin Habela que trouxe uma interpretação mais satírica dentro do espirito dos manuscritos de Beuern.

Mais, repito foi um lindo espetáculo e é pena que se gaste tanto tempo e dinheiro para levar à cena um espetáculo deste e se o  veja somente por um dia. Merecia uma temporada mínima de uma semana.


domingo, 24 de abril de 2011

BECKETT FIM DE PARTIDA NO MARTIM GONÇALVES

O Teatro Martim Gonçalves na Bahia de São Salvador apresenta nos meses de abril e maio deste 2011  um espetáculo que deveria ficar em cartaz por mais tempo. Um trabalho maravilhoso na direção de Ewald Hackler, com Harildo Déda, Gideon Rosa, Gil Teixeira e Maria de Souza. Hackler nos traz um Beckett pleno de vitalidade nos seus silêncios, de harmonia nas falas de seus personagens e apesar da aridez do texto, pungente, doloroso, sente-se o perpassar da vida e da esperança. Tanta harmonia, não deixa margem à especulação de quem melhor está na peça. Há uma simbiose perfeita entre Hamm (Harildo) e Clov (Gideon) que têm seus destinos  indelevelmente ligados. Gil Teixeira(Nagg) e Maria de Souza(Nell) pais de Hamm,  fazem, um pouco, como o côro no teatro grego, tanto por se conformarem com o destino que lhe fora oferecido, como pela atuação contrapontistica, ao mesmo tempo que representam a humanidade abandonada pelos deuses. Hackler nos deu um Beckett tal como ele é, pungente e vigoroso, terno sem ser piegas. Só não entendo porque a UFBA não cobra ingressos. Sempre me bati por isto, desde quando fazia a Escola. Se Universidade cobra taxa para tudo, como histórico escolar, certidões, por que não cobrar ingressos? Em todo caso, todos ao Teatro Martin Gonçalves.